Raphael (Maça) Lameira

Publicado: 24 , dezembro , 2010 , sexta-feira em Pa-Pum

Veja a entrevista completa da coluna “O que Deus fez na Minha Vida”, publicada na edição nº 5 da Revista Zion.

 “Cada coração com Deus é um missionário e cada coração sem Deus é um campo missionário”. A frase ele ouviu numa pregação, mas a ideia Raphael guardou pra si. Ele resolveu: quer ser missionário. Raphael Lameira, 26 anos, atualmente estuda Administração. Há um ano, começou o Projeto Marcos, do Instituto Missionário Palavra da Vida, em Benevides, região metropolitana de Belém. O Projeto Marcos é o nome dado ao primeiro ano, de três, do seminário que forma missionários para a obra de Deus. Raphael só percebeu esse chamado depois de viver algumas experiências marcantes com o Senhor Jesus.

Como você se converteu?

Converti com uns 12 anos, um tempo depois que meu pai se converteu. Eu era um menino legal, quieto, mas daqueles crentes 007. No colégio, ninguém sabia que eu havia me convertido. Eu não escutava falarem do compromisso que deveria ter com Deus. No ensino médio, era o destaque da bandalheira na sala. Ia para a casa dos meus amigos, saía com eles e não me preocupava em fazer a diferença. Por não beber e nem fumar, eu achava que estava fazendo o certo. Entrei no cursinho e fiquei lá uns três anos. Nunca deixei de ir à igreja, onde tinha amigos.

E quando você começou a achar que não estava tudo certo?

Havia dois amigos na igreja com quem eu sempre saía para passear. Depois dos cultos, nós íamos rodar de carro, olhar o movimento da cidade. Passávamos em frente a algumas festas, mas só olhando, até que um dia uma amiga nossa, na época também da igreja, nos chamou pra irmos a uma festa numa casa de show daqui de Belém. Estávamos todos juntos e eu não quis ir, mas não teve outro jeito pois não tinha como voltar pra casa. Entrei e fiquei na minha, só que, depois dessa, virou costume. Aconteceu uma vez, num sábado, de sairmos do culto dos jovens para uma festa e passarmos a noite em claro pra depois ir direto para a EBD (Escola Bíblica Dominical) no domingo pela manhã. No meu coração, eu sempre senti certo temor por fazer isso. O Espírito Santo acusa mesmo.

Quando você decidiu mudar de atitude?

Uma vez, em um culto na igreja, o pastor pregou sobre a vida dos jovens. Muitos vão sempre à igreja, só que vivem uma vida afastada dos caminhos de Deus lá fora. Essa palavra mexeu muito comigo. A partir daí, resolvi mudar. Falei para meus amigos que saíam comigo que a amizade continuaria, mas que eu não sairia mais com eles para as festas. Mesmo assim, acabei saindo algumas vezes. Fui para uma micareta pra não deixar um amigo só e fui ao aniversário de uma amiga numa boite famosa da cidade. Algumas pessoas viram fotos minhas ou me viram vestindo abadá e me reconheceram como membro da igreja. Comecei a pagar o preço. Ouvi brincadeiras dos irmãos por causa do meu comportamento e então percebi novamente que estava no caminho errado.

E o que aconteceu?

Na época trabalhava em um consultório. Eu fazia a documentação ortodôntica numa sala que tinha gente todo tempo. Num momento que fiquei sozinho, senti que Deus estava falando comigo e comecei a chorar. Ele disse que eu já havia parado de fazer o errado, mas ainda não fazia o certo. Nessa época, me preparava para ir pro Acampamento do PV (Palavra da Vida), e eu fui. Lá, Deus falou muito comigo, principalmente durante as horas devocionais. No final do acampamento tem aquele momento com a fogueira onde contamos nossas histórias. Contei a minha, e daquele momento em diante eu decidi que seria um crente melhor, alguém de quem Deus se agrade. A partir daí, me alegrei muita mais na vida com Deus. Foi quando eu senti o que é servir. Quis deixar Deus me usar.

E como você decidiu ser um missionário?

Em 2008, fui para o retiro vocacional do PV com a ideia do servir na cabeça. Eu não estava muito bem, mas queria que Deus me usasse. Me inscrevi e só depois avisei em casa. Quando comecei a conversar com meu pai e disse que eu iria para lá, ele me perguntou se era isso mesmo que eu queria. Respondi que sim, e ele me disse que essa minha atitude era a que ele mais pedia a Deus que eu tivesse. Ele estava muito feliz. Aí quem ficou feliz fui eu. Foi confirmação total do chamado de Deus para mim. No retiro, Deus me confirmou que quer me usar na obra dEle. Foi aí que resolvi ir para o Seminário, e isso implicava em trancar a faculdade por um ano.

E como foi lá no Seminário?

Eu cheguei lá pensando que tinha que fazer o melhor para Deus. O curso é dividido em três áreas de avaliação: a vida, o ministério e o estudo. A maioria dos seminaristas, e eu também, considerávamos a vida a área mais importante. A vida é o que temos que trabalhar porque quem faz a obra (faz o ministério acontecer) é Deus. Paulo, em seu Evangelho, disse que nossas obras são como trapos de imundícies, então não é o ministério o que mais importa, mas sim o nosso comportamento. Aprendi que às vezes não aproveitamos as oportunidades que Deus nos dá para falar dEle. Nesse seminário, aprendi que “cada coração com Deus é um missionário e cada coração sem Deus é um campo missionário”. A gente tem que começar a evangelizar de onde estivermos.

Você passou um ano lá e voltou pra faculdade, né? Você vai voltar?

Esse primeiro ano que eu fiz é chamado de Projeto Marcos. Para que eu termine o seminário de missões preciso concluir mais dois anos. Eu o interrompi nesse ano só para terminar a faculdade, mas vou voltar para o seminário. Depois desses três anos, se fizer mais dois, serei bacharel em teologia. Quero fazer quantos anos mais tiver para fazer. Não quero deixar a chama se apagar, pois às vezes a gente esfria. Quero muito voltar.

Teve algum momento mais marcante para você lá?

Acho que o mais importante foi a minha entrada. Eu queria muito ir. É claro que viver em comunidade pode ser difícil, mas tudo valeu a pena. Estou alegre de ver que Deus está se agradando de mim.

Em algum momento você teve medo de aceitar esse chamado?

Não! Pelo contrário, eu sempre penso que Deus me capacitará para estar aonde quer que ele me mandar. Até antes de entrar no seminário, achava que já tinha entendido o plano de Deus na minha vida, no entanto descobri que, na verdade, eu não sabia de nada. O propósito de Deus na vida da gente é bem maior do que podemos imaginar.

Sentiu resistência de alguém em aceitar a sua decisão?

Sim, gente que não entendia o que eu estava fazendo ou queria saber o quanto ganharia para isso. Até gente de dentro da igreja dizia para pensar bem, para garantir meu futuro antes, não largar a faculdade. Isso me chateou um pouco na época porque estava fora do que Deus ensinava. No capítulo 11 do livro de Hebreus, há caras que deram suas vidas por causa do evangelho, “homens do qual o mundo não era digno” Hb 11: 38. Não que todos devam fazer isso, mas se há um chamado de Deus, a gente deve seguir.

O que você deixaria como mensagem para quem se identificou com a sua história?

Outra coisa que aprendi em uma pregação é que nós não precisamos errar para aprender. A gente aprende mesmo é com o erro dos outros e eu espero que os meus erros sirvam para que os outros aprendam.

Editado por Gabriela Azevedo

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