Troque o how to pelo to be I

Publicado: 1 , dezembro , 2010 , quarta-feira em Por eles...

Em apenas 17 segundos, encontrei aproximadamente 62.700.000 referências para a expressão “how to” (como fazer) num site de busca na Internet. Você encontra explicações variadas e detalhadas para fazer quase qualquer coisa num processo “soluções passo a passo” no jogo “faça você mesmo”. A lista de sugestões é interminável: como dar um nó de gravata, como fazer de seu cachorro uma estrela de comerciais de tv, como perder peso, como conseguir um empréstimo, como administrar conflitos familiares durante as festas de final de ano, como se vestir para uma entrevista profissional, e milhares de outras não menos “interessantes”.

Em minha rápida pesquisa, encontrei também algumas variações do tema, como por exemplo “how stuff works” (como as coisas funcionam). Faz sentido. Há uma lógica por trás desta cultura. Partindo do princípio que todas as coisas podem ser resumidas a relações de causa e efeito passíveis de serem decodificadas em regras e manuais, então qualquer coisa pode ser construída, fabricada, executada e controlada, desde que se entenda como a tal coisa funciona. Não importa se esta tal coisa é sua esposa com a auto-imagem abalada por estar acima do peso, seu filho que vai mal na escola porque você e sua esposa vivem como cão e gato, ou o departamento financeiro da sua empresa às voltas com a taxa de juros e a carga tributária.

Há ainda uma terceira expressão própria desta cultura mecanicista: “just do it”, ou simplesmente faça. A idéia por trás é “faça, e faça você mesmo, não fique parado, não espere pelos outros, seja pró-ativo; nós estamos aqui para dizer a você como as coisas funcionam, e guiar você passo a passo para que você seja capaz de fazer quase qualquer coisa”.

Eis o triângulo do pragmatismo contemporâneo: “how stuff works”, “how to do”, e “just do it” – como as coisas funcionam, como fazer as coisas, e faça, simplesmente faça. Esta é a síntese da cultura mecanicista, prima irmã do individualismo (eu me basto, posso fazer tudo sozinho, desde que tenha um manual nas mãos) e do superficialismo (nada é tão complexo que não possa ser decodificado, reduzido a um método, e resumido num manual). Por esta razão já encontramos manuais para a relação pais e filhos, como se o ditado popular que afirma que “mãe é tudo igual, só muda de endereço” fosse mesmo verdadeiro.

Uma organização que se ocupa apenas com “how to” (como fazer as coisas) está longe de encontrar o caminho do sucesso, pois a trilha mais excelente é a do “to be” (ser). E para o “to be” não existe “how to”.

Ed. René Kivitz

 

Texto extraído de: http://www.ibab.com.br/artigos.php?id=15

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comentários
  1. Bem… não gosto de levantar poeira… mas não concordo mto com o posicionamento do autor sobre este assunto. Enfim… deixa pra lá… rsrsrsrs…

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